quarta-feira, 29 de março de 2017

Poderão as casas inteligentes testemunhar contra nós?


Tradicionalmente, estamos habituados que aquilo que se passa no interior das nossas casas faça parte do foro privado. Mas com a proliferação de cada vez mais dispositivos "inteligentes", há cada vez mais formas de registar o que por lá se passa... e nem sempre é claro de que forma é que esses dados podem ser utilizados.

Recentemente tivemos um caso de uma investigação de um homicídio, em que as autoridades queriam acesso às gravações do Amazon Echo existente na casa. A Amazon começou por lutar contra esse disponibilização dos dados, mas posteriormente o principal suspeito (o dono da casa) pediu que esses dados fossem disponibilizados.

Quem fala do Amazon Echo fala do Google Home, dos nossos smartphones, de outros dispositivos que possam estar a escutar-nos (como as Smart TVs) ou até a ver-nos - no caso de câmaras de vigilância. É todo um conjunto de dados que as pessoas apreciam quando são usados para seu próprio benefício (por exemplo, receber uma notificação de que um ladrão entrou em casa), mas que poderão não apreciar se começarem a ser usados como testemunhos contra si.

É que em muitos casos, estes dados nem sequer ficam guardados localmente, sendo enviados para algum serviço na cloud; e a política de acesso a esses dados nem sempre é tão transparente quanto se desejaria - para não falar da dificuldade que qualquer pessoa normal teria ao tentar decifrar as centenas de páginas das "condições do serviço" que as empresas disponibilizam.

Se calhar, o mais simples é desde logo assumir que a privacidade já não é o que era, e que será cada vez mais difícil que, mesmo aquilo que se faz no seu próprio lar, seja realmente "privado".

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