domingo, 16 de setembro de 2018

Casas inteligentes podem tornar-se um pesadelo nas relações abusivas


Assume-se que uma casa inteligente se deva aproximar da ideia de "casa de sonho" que cada pessoa tenha; mas no caso das relações abusivas, esse sonho pode rapidamente tornar-se num pesadelo bastante complicado.

As relações humanas raramente são simples, e se noutros tempos o fim de uma relação poderia ser marcado com a entrega da chave da porta, hoje em dia isso está longe de ser o suficiente; e a tecnologia que nos deveria facilitar a vida... facilita também a vida a quem desejar manter uma presença incómoda para perturbar o ex-companheiro ou ex-companheira.

O cenário, que poderia pertencer a um filme de ficção vai, infelizmente, sendo uma realidade cada vez mais frequente. Vão aumentando os relatos de pessoas que vão sofrendo na pele os abusos potenciados pelos dispositivos inteligentes, que vão desde a simples espionagem para quem mantiver o acesso às câmaras que tinha instaladas em casa, a coisas que podem interferir ainda mais activamente com a vida doméstica: mudar diariamente os códigos de uma fechadura inteligente; acender ou apagar luzes; mudar o ajuste da climatização para ficar ainda mais quente no Verão ou frio no Inverno; tocar música no volume máximo durante a madrugada (ou fazer tocar o alarme); enfim... o potencial para abuso é virtualmente ilimitado - e neste caso não estamos a lidar com o panorama já suficientemente perturbador de ter sido um hacker a "entrar" em nossa casa, mas sim de alguém que já tinha acesso a tudo isso, e que agora está a abusar desse poder para atormentar outra pessoa.

É infelizmente um caso que não poderá ser descurado, e que inevitavelmente vai obrigar a que se tenha (ainda) mais cuidado com as coisas que se instalam em casa - pelo menos no que diz respeito a saber como se pode cortar o acesso em caso de utilização indesejada por parte de alguém que se deseja manter à máxima distância possível.

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