
Felizmente há leitores atentos, e que bem fizeram em me relembrar que eu tinha prometido explicar o porquê da minha decisão de usar o X10. :)
Em primeiro lugar, convém deixar bem claro que não sou apologista de nenhuma tecnologia em particular, nem quero com isto dizer que "esta-ou-aquela" é a mais adequada para todos os casos.
Cada caso é um caso, e eu vou falar unicamente sobre o meu caso em concreto.
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Ora bem, então comecemos:
O
X10 é uma tecnologia que utiliza a rede eléctrica como canal de comunicação entre os diversos elementos "domóticos". Significa isto que, ligando um pequeno módulo numa qualquer tomada de sua casa, pode controlá-lo remotamente, através de um comando remoto, computador, etc. sem necessitar de nenhuma alteração à sua infraestrutura eléctrica (dispensando a necessidade de novos cabos de comunicação pela casa toda).
A ideia não é nova, e a prova é que o X10 foi concebido em 1975, não sendo portanto uma tecnologia recente - e que por isso mesmo também tem bastantes limitações inerentes à sua idade.
Obviamente há novas tecnologias,
KNX,
Insteon,
LonWorks,
HomePlug,que também podem usar a rede eléctrica; no entanto o X10 continua a ser um dos mais usados (e também tem a vantagem de ter um custo bastante mais reduzido).
No meu caso, não estava disposto a usar cabos separados para a automação, pelo que fiquei logo restringido a duas opções: rede eléctrica ou comunicação
wireless (sem fios).
Como eu já andava interessado nisto desde há muito tempo, o X10 sempre foi a minha primeira hipótese (foi a primeira que descobri - e na altura, a única). No entanto, todos os rumores que ouvia sobre os problemas que muitas pessoas tinham com aquilo, em nada me inspiravam uma grande confiança.
O problema é que a rede eléctrica não é um meio de comunicação perfeito - e como tal, a fiabilidade do sistema tanto era boa, como aceitável, como má, dependendo da pessoa com quem falasse. Isto deve-se a que, originalmente o X10 era um protocolo uni-direccional: um comando mandava um módulo ligar-se, e esperava-se que esse comando tivesse chegado ao módulo de destino - não havendo no entanto qualquer garantia que isso acontecesse.

Como não tinha pressa... fui esperando. Os rumores dos módulos X10 bi-direccionais, das tecnologias wireless (como o ZigBee), etc. fizeram com que fosse adiando o início do projecto.
Finalmente, com os nóvos módulos X10 europeus, anunciando melhor fiabilidade e capacidades de comunicação bi-direccional, decidi então arriscar. Encomendei uns poucos módulos "sortidos": um para controlar os estores, um para aparelhos, dois para lâmpadas, etc.
Com tudo o que de bom e de mau me diziam sobre o X10, não havia nada a fazer senão testá-lo na minha própria casa. Como vivo num duplex e estava preocupado com a fiabilidade de um extremo da casa para o outro, instalei módulos nas tomadas de circuitos eléctricos o mais afastados possíveis, e preparei-me para ver se funcionavam...
Surpreendentemente, tudo funcionou sem qualquer problema. Ufa... que alívio!
Mas - calma - muitos dos problemas dos X10 só ocorrem quando se têm muitos módulos instalados, ou quando certos aparelhos estão ligados ou em carga. Aparelhos como compressores (frigoríficos), UPS's e outros que tais, são conhecidos por aniquilar a comunicação X10 nas suas imediações. No meu caso, apenas necessitei de instalar um filtro na tomada onde tenho a UPS do meu PC, para que todas as tomadas da casa recebessem o sinal X10 sem qualquer problema.
Tendo comprado mais meia dúzia de módulos (para os estores eléctricos) fiquei novamente surpreendido por tudo funcionar sem hesitações nem atropelos - pelo que a minha conclusão relativamente ao X10 foi francamente positiva.
No entanto, tenho que salientar que - estando consciente dos seus pontos fracos - também faço os possíveis por evitá-los. É por esse motivo que tenho os sensores de movimento num circuito à parte, para não saturar a linha com sinais de "movimento" X10 que possam interferir com outras comunicações.
No caso dos módulos bi-direccionais, este problema é ainda mais reduzido (inexistente), uma vez que passa a haver confirmação de que a comunicação foi bem sucedida.
Outra das minhas grandes preocupações dizia respeito à iluminação "cénica".
Eu sou um fanático da iluminação, adorando transições lentas entre o "on" o "off", quando preparo a sala para o modo "cinema" - ou quando um corredor deixa de detectar movimento. Ora, num sistema X10 normal, fazer estas transições causaria uma inundação de instruções "dim" na rede eléctrica - impedindo qualquer outra comunicação que ocorresse nesse espaço de tempo.
Felizmente, também esse problema foi resolvido. Havia um módulo X10 americano que permitia esse controlo, enviando um só comando (do tipo, faz "fade para 10% da luminosidade, demorando 30seg") - no entanto, aparentemente nunca foi adaptado para a Europa. Mas mais uma vez, graças à internet, encontrei um colega holandês que tinha criado os seus próprio módulos X10, e que sendo facilmente programados me permitiram recriar essa funcionalidade à minha medida. (Sendo esta uma dos outras vantagens do X10, permitindo a sua fácil implementação por qualquer pessoa com alguns conhecimentos de electrónica)
À medida que a tecnologia avança e os protocolos mais recentes e fiáveis fiquem mais acessíveis, sem dúvida que o X10 se tornará cada vez menos usado - mas por agora, continua a ser a solução de mais baixo custo e que funciona perfeitamente quando usado com o devido cuidado.
Actualização: se queres ficar a conhecer o que são os "house codes" e "unit codes" não deixes de ler o este artigo sobre o
sistema de endereços utilizado pelo X10
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